Estava assistindo a um programa televisivo neste fim de semana e me deparei com uma situação similar à vivificada em Roraima. Quem não se lembra de Paulo César Farias? Empresário, tesoureiro das campanhas eleitorais de Fernando Collor de Melo e Itamar Franco. Diga-se de passagem, o maior responsável pelo primeiro impeachment no Brasil.
Pois bem, PC Farias, como ficou conhecido movimentou mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos; teve ligações com o narcotráfico e um dos testas de ferro do governo Collor de Melo, foi encontrado morto em uma casa de veraneio, no Nordeste, em 1996.
O caso foi se arrastando na mídia e na Justiça Brasileira. Teve até participação de forças ocultas. Uma vidente foi capa de revista de circulação Nacional e fez inúmeras revelações sobre a vida pregressa de PC Farias. Só em 1999 que a Polícia Federal encerrou o inquérito e indiciou oito ex-funcionários de PC.
Por que estou resgatando isso da minha memória? Simples. Em Roraima temos um PC, que se completa com a letra “Q”. Pode não estar envolvido em esquemas de corrupção com o governo, mas é um dos causadores de uma ‘guerra fria’ e ‘sonolenta’ em nosso Estado.
Seria o “PC’Q” do lavrado. O que aterroriza repórteres que não comungam da ideia malfada alimentada e difundida por ele. É o que tem poder de fogo para queimar pontes e espalhar pregos pelas estradas. Em suma: um autêntico criminoso que ainda tem sua legião de fãs.
Dia desse travei uma discussão com um amigo, justamente por fazer parte desse clã dos admiradores “Hi PC’Q”. À época do Nazismo, era assim que os seguidores de Hitler se dirigiam a ele. E hoje estamos revivendo esse fato triste na história.
Pronto! Temos a reencarnação de Hitler em nossa sociedade. Processo judicial? Nossa, são muitos. Ameaças de queimar as pessoas ou mandá-las ao inferno – se é que existe – também são inúmeras.
Mas enfim, vivemos em uma sociedade que ainda não se libertou dos preconceitos. E ainda vem um lá dos Pampas para motivar essa prática por essas bandas.
Hoje o PC’Q está adormecido, mas como um vulcão, pode entrar em erupção a qualquer momento. É só a Justiça responder às contestações dele em relação às indenizações sobre as benfeitorias na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Daí ele vai cuspir fogo, literalmente falando.
Se fosse depender da trupe do PC’Q, Roraima se afundaria. Até porque aquele discurso de geração de emprego e renda caiu por terra. As lavouras de arroz, todas, eram mecanizadas. Se tinham funcionários, eram dois ou quatro. Impostos não eram recolhidos em razão de um acordo de cavalheiros com o Governo do Estado.
E ainda vem alguns poucos falarem que o cinturão de arroz gerava emprego, renda e alimento de qualidade. Esse último é até questionável. Os dois primeiros, não abro sequer comentários. E agora vem uma instituição plantar a semente de que, com a retirada dos arrozeiros da Raposa Serra do Sol, o arroz em Roraima será mais caro. Há uma década e meia pagamos mais caro pelo arroz, diga-se de passagem, produzido aqui. É só comparar com o preço em Manaus.