A I Conferência Estadual de Comunicação que deveria tratar da democratização da comunicação em Roraima está mais para uma trupe dos coleguinhas de apadrinhados do que para uma discussão séria sobre o futuro da comunicação roraimense.
Falo isso categoricamente pelo fato de os movimentos sociais terem sido excluídos do processo de construção. Cito o Nós Existimos como exemplo. Desde quando surgiu, em meados de 2003, esse Movimento sempre se pautou pela comunicação popular e alternativa, tentando fazer valer a voz dos menos favorecidos de uma sociedade oligárquica e sem perspectivas de mudança.
E não somente o Nós Existimos ficou de fora. Dia desses, uma colega contrária ao discurso dos “manda-chuva” da comunicação local, foi defenestrada da comissão organizadora. Isso sim deve ser considerado um processo antidemocrático. Vergonhoso!
Mais vergonhoso ainda são os discursos dúbios nas rodadas de construção da Conferência. Um representante de sindicato ao invés de lutar pela categoria fica se fazendo de “vaselina”, “Maria vai com as outras”. A única pessoa que mantinha um discurso contrário, uma fala firme e real do que deveria ser feito para mudar a nossa comunicação, foi posta para fora e com direito a votação, comprada, diga-se de passagem. O possível substituto ao menos se manifestou porque sabia que era a chance de ocupar a vaga.
Isso não é fazer comunicação. Toda a comissão organizadora é composta de jornalistas. Não há outro comunicólogo com habilitação diferenciada. Publicitários não há. Relações Públicas, tampouco. Mas o foco de tudo é saber quem vai viajar com tudo pago à Brasília para fingir uma discussão sobre a democratização da comunicação no Brasil e pasmem, “a construção de direitos e de cidadania na era digital”.
A comunicação de Roraima é feita por grupos políticos. A discussão da Conferência deve ser pautada no único propósito de “quem será o próximo grupo de comunicação de Roraima?”, “qual será o deputado que terá poder de barganha para conseguir uma concessão?”.
É! Fazer comunicação alternativa é estar aquém do processo de discussão de uma comunicação séria e comprometida com os direitos humanos e direito a cidadania. Isso não importa aos grupos políticos. O que importa é ter profissionais de Comunicação Social comprometidos com a causa individual e político-partidária, ao invés de terem comunicólogos livres e comprometidos com o povo.
A falha talvez esteja nas faculdades. Quando se ingressa no curso de Comunicação Social, seja para jornalismo, publicidade e propaganda, relações públicas ou cinema, os professores incentivam tão somente só que o profissional assuma compromissos com grandes empresas de comunicação, que já têm fórmulas preparadas, ao invés de motivar os futuros profissionais a assumirem desafios de mudar o modo de fazer comunicação.
Então, discutir comunicação em Roraima é ser um pouco de camaleão: adaptável, de acordo com a temperatura e ambiente. É ser uma pessoa da cor verde, por um momento, e por outro, da cor laranja, amarela, marrom, azul. Esse é o futuro da nossa comunicação.